segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sometimes when people grow, they grow apart

Faltava assunto. Não temos mais nada em comum. Eu lembro o tempo em que éramos pequenos e vivíamos como unha e carne: pensávamos parecido, gostávamos das mesmas coisas e não tínhamos o menor pudor de ser feliz. Eu acho que você ganhou um enorme pudor de ser feliz, eu nem tanto. Um dia você disse que queria enterrar uma caixa com nossas coisas para desenterrarmos quando estivéssemos mais velhos, eu disse que isso era bobagem porque nunca saberíamos o momento em que estaríamos velhos o bastante para desenterrar.
Hoje eu diria que estamos velhos o bastante para desenterrar. Tirar de dentro da caixa a lembrança de que um dia fomos amigos eternos, para contar um com o outro na alegria e na tristeza. As coisas acabaram ali pelos meados dos 15 anos e não sei explicar como, não deveriam ter acabado.
Mas acabaram. Você não é o único amigo de infância que eu perdi. O único agravante é que sempre nos tratamos como primos, nossas avós são melhores amigas e temos primos em comum. Eu vejo o seu pai no dentista mais vezes por ano do que você.
Não quero que isso soe como uma lamentação. É apenas uma constatação do rumo (divergente) que as coisas tomaram. Se um dia nossa amizade virar só lembrança, isso não vai ser problema, todo mundo tem que ter boas lembranças. Mas não posso negar a estranheza de sentar nas cadeiras de plástico da calçado e não ter o que falar. Já foi o tempo que sobrava assunto.

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