segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Time on my hand would be time spent with you

Eu achava que Hollywood tinha inventado o amor. Afinal, biologicamente somos só sexo, e dois corpos se entendem, não precisa que nada os guie. Instintos são verdade, o resto devia ser qualquer conhecimento tácito dos contos de fada. Eu via casamentos falidos, divórcios, adultérios, relacionamentos mais baseados no conforto ou no sexo do que nessa coisa chamada amor. Eu amava o meu irmão, meu pais, meus amigos, meus primos... Não amava desse jeito que o Titanic me contou que se ama.
Aí, eu me apaixonei. Perdidamente. Perdi completamente o norte e o amor próprio em nome de uma pessoa que não estava preocupada comigo. Me machuquei, chorei, perdi a vontade de sair de casa; a vida só faria sentido com uma pessoa ao meu lado. Não era nada saudável esse amor que eu criei, e por isso eu me senti obrigado a ir embora. Conclui que o amor é essa coisa que só faz mal, porque a gente se entrega, fica vulnerável e as pessoas não tomam cuidado com o nosso coração. Entrei em processo de esquecer o amor passado, fechar as cicatrizes, mas acabei me fechando para o mundo também.
Poucas pessoas me encantavam, e mesmo as que o faziam não conseguiam ficar muito tempo antes de eu me irritar com qualquer detalhe insignificante e ir embora de novo. Eu era o Elton cantando This train don't stop there anymore, num repeat que durou meses. Disse não mais vezes que a Terezinha do Chico Buarque.
Só que a Terezinha tem o terceiro cavalheiro. Chega alguém que não se anuncia, não vem dizendo a que veio, nem muito menos pede licença. Só entra na sua vida e muda o seu mundo. De repente, você quer ver essa pessoa todos os dias, todas as horas, nunca se cansa dela; pensa nela antes de ir dormir e na hora que ac0rda; toda música é pra ela e tudo que você faz pensa em compartilhar com ela. A vida ganha mais sentido, seu humor fica melhor e - pasmem - até a sua pele melhora. Não sei o quanto eu sou piegas e bobo com isso tudo, tenho até vergonha de dizer essas coisas.
Eu só sei que hoje eu acredito no amor, porque há quem me faça feliz.

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