Aí, eu me apaixonei. Perdidamente. Perdi completamente o norte e o amor próprio em nome de uma pessoa que não estava preocupada comigo. Me machuquei, chorei, perdi a vontade de sair de casa; a vida só faria sentido com uma pessoa ao meu lado. Não era nada saudável esse amor que eu criei, e por isso eu me senti obrigado a ir embora. Conclui que o amor é essa coisa que só faz mal, porque a gente se entrega, fica vulnerável e as pessoas não tomam cuidado com o nosso coração. Entrei em processo de esquecer o amor passado, fechar as cicatrizes, mas acabei me fechando para o mundo também.
Poucas pessoas me encantavam, e mesmo as que o faziam não conseguiam ficar muito tempo antes de eu me irritar com qualquer detalhe insignificante e ir embora de novo. Eu era o Elton cantando This train don't stop there anymore, num repeat que durou meses. Disse não mais vezes que a Terezinha do Chico Buarque.
Só que a Terezinha tem o terceiro cavalheiro. Chega alguém que não se anuncia, não vem dizendo a que veio, nem muito menos pede licença. Só entra na sua vida e muda o seu mundo. De repente, você quer ver essa pessoa todos os dias, todas as horas, nunca se cansa dela; pensa nela antes de ir dormir e na hora que ac0rda; toda música é pra ela e tudo que você faz pensa em compartilhar com ela. A vida ganha mais sentido, seu humor fica melhor e - pasmem - até a sua pele melhora. Não sei o quanto eu sou piegas e bobo com isso tudo, tenho até vergonha de dizer essas coisas.
Eu só sei que hoje eu acredito no amor, porque há quem me faça feliz.

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