sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Todo carnaval tem seu fim...


Meu amigo bobo-alegre acabou de me mandar uma postagem do ano passado que resumia a nossa vida diária no metrô da Presidente Vargas todos os dias esperando um vagão decente onde pudéssemos viajar e respirar ao mesmo tempo - talvez não ao mesmo tempo, mas pelo menos nessa ordem. Aí eu vi a agenda Marista do meu irmão em cima da mesa e olhei pra foto do meu avó na parede do escritório. Inevitável que eu me sentisse um velho que já viveu muito e já tem muita história para contar sobre a vida. Inevitável também lembrar que tudo acabou.
E poucas são as coisas que acabam como os filmes. Os filmes costumam ter o final mais emocionante que o resto dele, pra dar a impressão de que você se emocionou mais do que realmente aconteceu. Mas só os filmes mesmo são assim. O meu avô... Muito mais marcante conversar com ele por horas na varanda ou sentado na mesa da cozinha enquanto ele comia suas laranjas doces do que aquele amargo enterro. E o São José vai ser lembrado pelas olimpíadas, convivências e piques no recreio, não a tristeza de abandoná-lo depois de ter crescido entre aquelas paredes. O meio foi com certeza mais emocionante que o fim.
As amizades então, nem se fala. Você já não sabe direito como começou... O jeito que acaba então, você não vai descobrir. Claro, algumas acabam com uma briga idiota, mas não é a maioria. Pelo menos não é a maioria na minha vida. Elas acabaram sem nem mesmo avisar que acabaram, quando eu vi já era passado. Quase que um filme que só tem o meio... Talvez por isso, filmes sobre amizade sempre têm um dos amigos morrendo no final.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mulher de malandro


Eu sempre achei que as pessoas queriam ser felizes. Eu podia jurar que essa era a vontade de todo mundo. Só que tem alguma coisa errada nesse processo. Ou felicidade não quer dizer o que eu sempre achei, ou as pessoas são burras demais pra perceber o que as faria felizes. Cada vez mais eu acho que as pessoas gostam mesmo de sofrer.
Por isso as pessoas frequentam tanto as academias. Passam uma hora fazendo força pra produzir muito ácido lático e sentir dor no dia seguinte. É mais uma forma de masoquismo. Aí depois de meses desse sofrimento, você tem a bonificação de músculos torneados. Mas meses sofrendo pra melhorar a aparência?
Pior mesmo que isso só depilação. Agradeço todos os dias por ter nascido homem e não passar por isso. Eu fico imaginando como deve ser sentir todos os pêlos da sua virilha serem arrancados. E nem vem dizer que não dói, porque só em puxarem alguns pelinhos da perna eu não acho legal. Imagina a cera levando tudo de uma vez... Gosto nem de pensar, já dói. Não sou masoquista. Também não entendo gente que insiste em conviver com quem lhe faz mal. Tem gente que não é amigo não! Sem falar em namoros que não fazem bem a nenhum dos dois do casal, mas sem entrar no mérito que a questão é muito complicada. Tem também aquela velha história do amor não correspondido, mas que o idiota continua insistindo.
Fato consumado é: as pessoas gostam mesmo de sofrer. Essa história de que querem ser feliz e andar tranquilamente na favela onde nasceu é tudo mentira. Tudo pra amenizar o masoquismo real.

domingo, 15 de novembro de 2009

Quando eu morrer

Morte devia ser uma coisa rápida e indolor. Eu mesmo quero morrer bem velhinho de uma febre alta ocasionada por uma gripe ocasional. Qualquer outra doença mais grave causa complicações demais antes de morrer, dá muito trabalho. Morrer não precisa ter nove meses de preparação igual nascer, é torturante. Ficar lutando contra uma doença pra perder no final é morrer ainda com a placa de derrotado gravada na lápide.
Tem gente que descobre que tem câncer. Passa anos lutando contra aquele câncer. Quimioterapia, cabelo caindo e uma encheção de saco sem tamanho pra morrer no final. Estragou seus últimos suspiros dentro de um hospital e não adiantou de nada! Morrer de câncer não é a boa. Só se for um câncer descoberto já grande, que você empacota antes mesmo de pensar em cabelo caindo. Se é pra descobrir antes, que dê pra curar pelo menos.
Outra coisa que eu acho idiota morrer é enfisema. Quem morre de enfisema é quase um suicida a longo prazo. Você fuma igual uma chaminé a vida inteira, relaxa que é uma beleza pra chegar no fim da vida e morrer de enfisema. E morrer ainda com aquela voz de traveco que toda fumante fica, não importa o sexo.
Pior que cigarro só açúcar. Morrer de diabetes é muito pior. Porque você tem ainda que fazer dieta e ficar furando o dedo pra saber a sua taxa de glicose. Eu que não gosto de ver sangue ia ter que pedir pra ficarem furando meu dedo, né? E esse é mais um do grupo "Nadar, nadar, nadar e morrer na praia" Quando começa a parte de perder visão e cortar perna é pior ainda. Você vai perdendo seu corpo aos poucos pra morrer no final. Pior que o enfisema e o câncer - você perde no máximo a voz e o cabelo durante o processo.
Mais fácil mesmo era não morrer. Mas isso é inevitável. Na verdade, é bem idiota da minha parte ficar racionalizando o inevitável.

domingo, 8 de novembro de 2009

Olha que coisa mais linda


Quem disse que tem gente bonita no Rio de Janeiro? Essas novelas andam enganando vocês fingindo que o Rio é um monte de ator da Globo. Talvez não seja nada pior que esses jornais passando a imagem de que vivemos numa guerra civil. Não sei quem mente mais. Duvido que você encontre uma Aline Moraes dando uma volta pela Rua da Alfândega.
Na verdade, eu cheguei a conclusão da quantidade de gente feia que tem nessa cidade andando na sexta-feira pela Rio Branco. Fui deixar meu amigo piriguete na fisioterapia e na volta comecei a reparar nos outros. Conclusão: garota de Ipanema não é regra no rio de janeiro.
Nem em Ipanema a coisa fica mais bonita. E em Ipanema as pessoas ainda parecem não ter sido avisadas de que um pouquinho de bom senso faz bem a sanidade mental alheia. Velha gorda loira oxigenada de biquine parada no sinal achando super sexy a sua bunda metralhada de celulite é a coisa mais normal do mundo. Eu podia dormir sem essa! Eu MERECIA dormir sem essa!
Não estou falando que gordo está proibido de ir à praia, mas a gente tem que coloca-los nos nossos cartões postais. Porque essa história de gostosa bunduda com balanço sensual é tudo propaganda. A realidade é outra!
E a realidade nunca é tão bonita quanto a televisão.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

SuperAÇÃO


Já caiu? Já nadou para morrer na praia? Já levou um nocalte ao final do último assalto? Já levou um gol aos 45 do segundo tempo?
Perder dói. Mostra o quão fraco você é diante do outro. Você se sente a barata esmagada pelo pé tamanho 44, a mosca do cocô do cavalo do bandido. Não tem nem como descrever sem dar exemplo. É o pior ser humano na face da terra. O fudido maltrapilho.
E eu perdi ano passado, foi assim que eu me senti. Perdi a eleição para grêmio por 20 votos, uma diferença ridícula. Se é pra perder, leva uma porrada de uma vez pra ver o cocô que era. Perder por 20 votos é morrer na praia, como eu disse antes.
Aí veio a eleição desse ano. De novo muito trabalho: ficar na escola até tarde, conversar até com quem eu não sabia que existia, mover as pessoas, fazer cartaz, faixa, adesivo e panfleto. E ainda ter direito de ouvir mentira sobre a sua chapa - segundo os outros era o PSOL que me dava dinheiro pra campanha. Eu não sei como eu não bati em ninguém esses dias (chamei de mal-caráter, sem amigos, escroto, babaca, imparcial e ladrão). Até dentro da chapa a gente teve nossas brigas, muito bem superadas pelo bom senso e pacificidade dos membros.
Hoje foi a eleição de novo. 624 votos vão decidir o destino da diretoria do Grêmio do Colégio Pedro II - Unidade Escolar Centro. Quantos desses fomos capazes de conquistar? Será que dessa vez conseguimos alguma coisa?
É hora de superar a derrota do ano anterior. Superar as mentiras, superar as brigas e as intrigas. Superar as chatices, os protocolos e as burocracias. Mas acima de tudo, superar o meu cansaço.

Que venha a apuração!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Abre o olho, meu povo

Venho pedir desculpas solenes por ter sumido deste blog. Sabe como é, né? Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que eu acabei deixando o coitado do Livre Pub meio de lado sem querer. A vida social, a escola, o teatro, o grêmio e o meu avô engoliram os meus últimos dias. Já aceitou minhas desculpas, ne? Então vamos ao que interessa, vou começar a reclamar.

Primeiro deixar uma coisa bem clara: eu não tenho problema com gente escrota. Na verdade, acho uma escrotisse bem dita muito engraçada até. Afinal, eu já passei do tempo que a rufles batata da onde era um pontinho amarelo no meio do mar. Até suporto as escrotisses, respondo à altura com uma boa patada de volta.
O problema todo é um tipo de escroto: o escroto filho da puta. O problema dele é que ele não assume que é escroto. Fica se escondendo por trás dos outros, contando umas mentiras por aí e exagerando umas irrelevâncias. E se você for falar com ele frente a frente, ainda se faz de vítima. Esse é o tipo da pessoa que consegue transformar qualquer bom dia inocente em grosseria ou qualquer boa noite em racismo.
E ainda não tem lei pra punir esses filhos da puta. Ter até tem, mas pra provar alguma coisa dá um trabalho... E a pena resolve com um trabalhinho comunitário ou regime semi-aberto. Corta a língua dessa gente caralho!
Pior ainda do que escroto filho da puta é um monte de gente pra acreditar nele. OOI! Dá pra tentar ver que estão mentindo pra você? O Hitler dizia que uma mentira pequena dá pra desconfiar, mas uma mentira absurda, é tão absurda, que todo mundo acaba acreditando. E pior que todo mundo acredita. E adivinha quem está se ferrando no meio dessa história toda?

PS: Eu sei que muita gente não vai entender a foto. Mas é assim que eu chamo a filha da puta em questão.

sábado, 26 de setembro de 2009

Livre Pub


Eu nunca gostei de fazer aniversário. Aquela parte que eu fico atrás da mesa e as pessoas cantam parabéns para mim sorrindo me trás um desespero. O que eu deveria fazer enquanto os outros cantam parabéns? Eu também bato palma ou só sorrio fingindo que estou gostando? Eu não sei o que significa fazer aniversário, não gosto de comemorá-lo.
Mas e quando o BLOG faz aniversário?
Ano passado o Livre Pub não era só meu. Resolvi logo, mandei pro Roberto a seguinte mensagem: "Texto comemorativo de 1 ano de Livre Pub. Essa pica é sua" E até que ele segurou a pica direitinho e fez um texto legal. Eu acabei fazendo alguma coisa depois para homenagear o que tinha sido escrito aqui, mas nada demais. Foi só pra constar mesmo.
Agora são dois anos. Se fosse um cachorro isso correspondia a 14, mas blogs não são orgânicos. Nem adianta querer achar que ele tem a importância de alguém, não tem mesmo. Até porque, as pessoas enchem o saco e ligam mesmo que você não queira ouvir a voz delas. Já o blog, não perturba se eu não estou afim. No máximo eu fico pensando: "Eu tinha que postar, né?"
Ainda mais agora que só tem eu aqui. Sou o último dos sobreviventes. Passaram por essas linhass Bob Perez, Mariana Milazzo, Lisandra Spata, Gabriel Bivar e Bárbara (não sei o sobrenome, mas ela é legal). Todos abatidos pela falta de fôlego em levar um blog. E eu sou o último sobrevivente que ainda uso isso aqui para reclamar da vida (confessei, pronto).
Viva o Livre Pub. Se um dia eu ganhar o Nobel de Literatura vou contar lá que o meu caminho literário começou aqui. Começou no tempo do fundo preto com letras brancas, até que o fundo ficou marrom. Começou falando de política e assuntos sérios, até chegar as banalidades sobre as quais descorro hoje. Começou chato, até que ficou legal e ganhou mais leitores.
Viva o Livre Pub! Parabéns para ele!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Quem você finge ser?

Fiquei muito tempo longe, meu povo. Não vou mentir fingindo que eu estava ocupado fazendo algo de suma importância. Tudo culpa do meu primo que pegou o jogo do Mário emprestado e eu não consigo parar de jogar aquilo. Vou até para lá assim que acabar de chover pegar mais algumas estrelas. Aí você me pergunta: veio aqui então só por causa da chuva que te impede de descer a rua? Não, vim aqui porque andei um pouco pelo orkut e fiz algumas constatações.
O seu álbum se chama momentos? Então é o seu e o de mais milhares de internautas. Eu sei que uma fotografia registra um momento, mas eu tenho certeza que dava para ser mais criativo na hora de nomear um álbum. Também não coloca alguma coisa em inglês que você não sabe o que quer dizer. O auge de um álbum que vi foi my motherfuckers - e a minha cara estava lá, o pior.
E na hora de comentar? Se não é pra falar algo interessante, não fala, meu filho. Tem gente que pede pra ser humilhado nos comentários seguintes depois de algo bem idiota dito. Vi mais uma desses absurdos de gente que não sabe inglês em comentários. Um rapaz disse sobre a menina que comentara a cima: "she sucks my dick like a lollypop". A espertona achou super fofinho.
Fofinho é uma das palavras que menina adora usar. Depoimento pra homem mais novo sempre tem um fofinho. Pra amiga, elas mandam linda. Não acreditem quando sua amiga deixa um depoimento para você dizendo "LINDAAA". Eu vi cada dragão recebendo isso que você ia até se espantar.
Depoimento de homem é sempre as mesmas quatro palavras: "Fecha fácil. Tamo junto" Ficou impressionado com a poesia? Ainda bem que eu mantenho meu círculo de amizade em indivíduos cujo QI atinge três dígitos e eu não recebo as quatro palavras. Se me mandar eu ainda recuso.
E é essa falsidade até morrer. Orkut é a maior máquina de falso marketing pessoal do Brasil. Ganha até do subnick do MSN. Você ainda acredita em alguém?

PS: to puto com o blogger porque não consegui colocar a foto

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

(Des)Vocação


Eu não sei fazer contas. Eu ainda erro com a maior facilidade 2 mais 1 e coloco 2 - como eu fiz na minha última prova de física - ou então escrevo um esperto 7+9=18 na minha última prova de matemática. Eu tenho certeza que quando eu era minúsculo - pequeno eu ainda sou, ? - houve alguma defasagem na hora de me ensinar a fazer conta de mais para eu sempre errar com cem por cento de confiança de que está certo.
Eu também não sei jogar futebol. Nem nenhum esporte que eu precise reagir a alguma coisa. O auge foi na última educação física quando eu ouvi um educado: "Caralho, com o Chatack não dá pra jogar. Coloca a Teka no lugar dele!" E eu ainda estava me dando ao luxo de estar jogando com as garotas. Deve ter sido culpa do meu pai ausente que não me ensinou a jogar bola quando eu era pequeno.
Eu também não sou lá essas coisas jogando video game. Meu primo vive me enchendo dizendo que eu pareço o Rambo - com R mesmo? - em qualquer jogo. Não sei ficar montando estratégia e esperar o momento certo. Legal mesmo é dar a louca e sair porrando todo mundo enquanto os miolos voam pelos ares e o sangue escorre. Pena que com essa filosofia sempre tem um momento que eu não passo mais de fase. Até porque na vida real eu sou meio covarde, só sei correr na hora da merda ou ficar olhando de longe.
Eu também não sei desenhar, só boneco de palitinho. A vocação pra médico foi pra cucuia quando eu vi que desmaiava com sangue e essa história de virar professor... Puta que pariu, eu não ia ter a menor paciência!
Até que um dia me disseram que eu sabia escrever. Que chegava a ser bom o meu texto às vezes. Eu acredito no cara que me disse isso até hoje e prefiro continuar acreditando, pelo menos assim eu tenho utilidade.

domingo, 6 de setembro de 2009

Eu tenho esses anos, olha


- Matheus, me leva para ver o chafariz. Você é o único que não está comendo.
E eu levei, o argumento da Luiza - minha prima de 6 anos - fazia todo sentido. Ela só não me avisou que queria ver a ponte também. E brincar de corrida passando pela ponte e indo até o chafariz. E repetir a brincadeira oito mil vezes. Isso só tornou a minha brincadeira melhor, já que eu só parei de brincar de pique esconde na escola por falta de companhia. Pena que umas faveladas juntaram na ponte da minha prima para tirar foto e achar que eu e a Luiza não devíamos passar correndo. Elas compraram a ponte com o bolsa família delas e não me avisaram? Desculpa, então.
Mas o que eu ouvi que me deixou mais puto foi: "Menino desse tamanho brincando" Quem disse que eu não posso brincar? Agora as pessoas tem idade? Só porque essa gente fica trepando com 12 eu não posso brincar de corrida com 16?
São essas crianças que brincam pouco. Eu ano passado ficava impressionado com as crianças de 11 anos se agarrando no corredor. A menina não tinha nem pêlo na buceta e já estava levando dedada, tem alguma coisa errada - desculpe a baixaria, mas é a única maneira que vocês tinham de entender bem o que eu estava falando. Eu com 11 anos brincava todo dia de pique-pega ou policia e ladrão no recreio. Gostava de uma amiga, que também gostava de mim, mas duas crianças tem vergonha e não falavam nada. E sabe o que estava errado? NADA!
Aos 11 eu era criança. Aos 16 eu ainda sou criança. Não me importo de morrer criança. Grave pra mim era aquela favelada de 17 anos com uma criança que devia ter uns 5 anos no colo chamando de filho.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Em um ano eu aprendi...

E quem disse que a vida era fácil? A peleja é dura e o deserto é infinito à sua volta. Muitas vezes quem você menos espera te dá uma rasteira, ou o drink que o desconhecido te oferece não tem veneno - só vodka, leite condensado e suco de uva provenientes de um open bar que estava closed. E da confiança repentina nasce uma companhia para as horas mais duras da vida. Porque morder maçã envenenada por aí é muito fácil. Difícil é pegar o amigo envenenado e enfiar o dedo em sua goela para que ele regurgite tudo. Quem não é príncipe encantado, se vira, não foi quase isso que eu disse no meu último texto.
Desculpe se exagero na metáfora, mas prometo que elas tem um sentido de ser. Tente apreciar o texto como ele lhe parece, por mais que uma palavra ou outra pareçam desimportantes demais para existir.
Falo de amizade e dificuldades que devem ser enfrentadas juntas. Quantas vezes você jogou a boia de salva-vidas para tirar alguém do mar. Quantas vezes não jogaram a boia para você? Tem dificuldade que só tem graça de ser enfrentada com apoio. Tem escada que só pode ser subida com apoio, senão vencer as dezenas de degraus é quase impossível. Por mais que no topo esteja o curso de teatro que você não fez, valeu a viagem porque valeu a companhia.
Valeu a peleja da vida porque valeu a mão amiga. A risada no telefone para alegrar o seu dia triste logo depois de cantar "My heart will go on" da maneira mais desafinada possível.
PS: Eu finalmente fiz twitter - ou fizeram pra mim. Procurem por mim @matheuschatack e sigam-me. Só lembrem de avisar no comentário para eu seguí-los também. Beijo!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Você pode correr, mas não pode se esconder


Uma vez eu vi o Paulo Autran dizer que achava que a vida não ia ter a mínima graça se a gente não morresse. Que tudo devia ter o fim, como o fechar das cortinas no final do espetáculo. Um final com rosas ou tomates. Quem sou eu para discordar do Paulo Autran na parte da cortina, das rosas e dos tomates? O cara era O CARA do teatro, né? Mas na parte da vida só ter graça quando a gente morre no final é só ele que acha, eu não acho não.
Acompanha o meu raciocínio: você nasce, chora, mama, brinca, estuda, cai, levanta, leva esporro, fica de castigo, aprende, erra de novo, ama, beija, termina, conhece, ri, trabalha, vive, trepa, têm filhos, educa, ensina, não dorme, conquista, batalha, ganha dinheiro, gasta dinheiro, paga INSS e impostos absurdos, para chegar de repente e MORRER! Eu acho que não sou a primeira pessoa a falar isso, mas morrer depois de tanto sangue, suor e lágrimas é uma puta sacanagem com o batalhador que vos fala.
Se a gente não morresse ia ser pior ainda, o planeta já não aguenta tanta gente com o povo morrendo. Ninguém morrendo, fudeu de vez, né? Pode jogar o ecossistema na privada e puxar a descarga indo buscar o desemtupidor, porque 6 bilhões entopem qualquer encanamento.
A gente tem que morrer? Tem. Mas que é muito injusto, isso é. Injustiça maior ainda foi terem levado pessoas tão queridas de mim.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Quem não tem colírio, usa óculos escuros


Eu odeio gente fresca! Sério, tem gente que precisa de muita porrada pra aprender que a vida não é tão fácil assim. Desculpa, comecei o texto meio agressivo demais, não foi? Mas eu tinha que colocar para fora! Agora já foi está dito. Posso voltar a reclamar de gente fresca? Lá vou eu...
Minha avó dizia que não tem cão caça com gato, e quando eu era bem pequenininho tinha um amiguinho que dizia que sempre devemos ter um plano B. Mas tem gente que faz TANTA questão de alguma coisa que não consegue mudar o rumo. Parece que é burramente condicionado a fazer uma coisa só, sabe? Tipo máquina de colocar tampa em maionese que nunca vai colocar rótulo. Só que isso pode ser pra muita coisa: uma saída, um filme pra ser visto, alguém a ser convidado... A gente tem que ser flexível. Aguentar álcool e gasolina - estou cheio das piadinhas sem graça hoje.
Mas sabe o que acontece com mula que não quer mudar a direção? Encontra um mata-burro. Preciso explicar o que é um mata-burro? Vou colocar uma foto pra te ajudar! (Se o google souber o que é um mata-burro, mas eu acho que ele sabe de tudo) Enfim, mata-burros não são legais e a gente tem que abrir mão das coisas. Cada um abre de um lado e a relação fica mais agradável e fácil. Sem brigar, sabe? E sem encher o meu saco!

PS: vou tentar responder todos os comentários, mas a volta às aulas tá uma doideira.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Me dá uns centímetros, vai?


Sabe na Páscoa aqueles estandes que fazem nos supermercados e lojas de departamento com muitos ovos? Aquele negócio que faz parecer que você está passando num corredor cheio de ovo? É bonito, né? Mas é uma merda. Pra quem ainda não atingiu um metro e setenta e não alcança os ovos no alto, é uma merda. Porque gente alta não se preocupa com o baixinho que vai comprar depois e fica pegando os ovos de baixo.
E farmácia que coloca o remédio que você quer comprar na última prateleira? E livraria que faz a mesma coisa? Ontem eu quase fiz a maior merda da história dentro da Pacheco por um pedaço de algodão. Será que essa gente pode pensar um pouco em quem não cresceu? Aposto que todo gerente de farmácias, livrarias e afins têm mais de dois metros de altura. Só assim ia explicar a porra do algodão na última prateleira pra eu ter que me pendurar pra conseguir alcançar e aquele negócio quase cair!
A parte dos congelados é a melhor de todas. Alcanço tudo que é uma beleza. Quer uma lasagna da Sadia? Tá na mão! Mas é fora de cogitação pegar aquele azeite na última prateleira. Porque o azeite extra-virgem sempre tem que ficar lá em cima? Será que gente baixinha tem que consumir o normal pra ver se morre logo?
Mas eu ainda não parei de crescer. Rezo todos os dias para conseguir chegar a um e setenta - não estou pedindo muito! Se eu chegar lá venho aqui contar a vocês. Acho até que vou fazer um festão e convidar todo mundo. Ainda estou crescendo - pouco já, né? Devagar e sempre. Mas um dia eu chego lá!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Enquanto isso, no senado...


Vou ter que falar do Senado, meu povo. Eu evito falar de política aqui, mas não dá. Eu achei que o auge do Senado ia ser a cara de otária da Dilma quando a CPMF caiu. Eu lembro de colocar na TVSENADO naquele dia com um pacote de pipoca e um copo com bastante coca estupidamente gelada. Mas era discurso que não acabava mais até o saudoso Jeferson Peres dar a grande ideia ao presidente da época - acho que era o Garibaldi Alves, mas sem certeza nenhuma:
- Senhor Presidente, o senhor poderia abrir o quadro de votação.
A CPMF acabou e o Lula teve que se virar. Dava pra ter alguma coisa melhor? Mal eu sabia sobre o último mês. Aquela gente brigando é muito melhor do que Zorra Total e Caminho das Índias. Chamar o outro de cangaceiro safado é de uma presença de espírito notória pro Senado ter alguma graça. Ou então o Tarso Jerissati discutindo com o Renan Calheiros:
- O senhor usou suas passagens para fretar seu jatinho em aeroportos pelo Brasil.
- Pelo menos o meu jatinho fui eu quem comprei. E o seu que quem comprou foi um empreiteiro?
- Coronel de merda!
- Presidente, a falta de decoro do senador Renan Calheiros...
É um ringue maneiríssimo! Eu estou assistindo TVSENADO todos os dias agora religiosamente - sem a pipoca e a coca da CPMF. Ver aquela gente apontar dedo um pro outro e ameaçar é muito legal. Até o Collor avisou o Pedro Simon que poderia trazer a público alguns fatos vergonhosos! Uma beleza, diversão de primeira. Daqui a pouco vira o senado sul-coreano onde os senhores senadores resolvem no tapa as divergências.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Naufrágio

Afundei um navio
Pra vingar traição
Morte merecida
De homem frio
Desmerece perdão

Outras almas pagaram
Por um só sórdido
Obrigados à partida
As almas gritaram
Antes do frio mórbido

Três segundos de dia
Na luz da explosão
Minha alma embevecida
Olhos brilham com clarão
E as almas em agonia

As ondas agora sozinhas
Parecem não ter visto nada
A água ainda aquecida
Faz-me denunciada
Do rancor que eu tinha

Sobrou apenas o vazio
Sobre ás águas plácidas
Das almas sofridas
Das expressões cálidas
Porque afundei um navio


(Uma coisa que eu sempre achei que não sabia escrever era poesia. Por isso hoje resolvi postar uma. Vinha escrevendo para ver se conseguia. Por favor, sejam sinceros dizendo se isso ficou bom. Qualquer coisa, eu desisto de fazer verso. Não é fácil de fazer. O eu lírico teve até que virar mulher pra ajudar a rimar... Enfim, não tentem me agradar na hora de comentar.)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Só pra apagar a luz


Voltei ! Mas calma, melhor me apresentar antes, eu sou o Roberto, aquele que escreveu aqui e simplesmente sumiu durante um bom tempo.Mas, não voltei pra ficar, voltei pra apagar a luz e me despedir.

Meu nome está ali no canto direito do blog, junto com uma meia dúzia que já deixou de ser ativa a muito tempo.Tomara que ele seja mantido ali, funcionando como uma verdadeira camara funerária, o mausoléu do livrepub acho um nome adequado para aquele cantinho.

Estou saindo por livre e espontânea vergonha na cara, o dono desse blog é a muito tempo o matheus e ele merece fazer o que quiser com esse projeto de dois anos, que sinceramente, não esperávamos que durasse dois meses.

Agora que já apaguei a luz mas ainda antes de fechar a porta, vou deixar uma propaganda, estou começando um blog novo com um amigo muito especial, mas ainda não vou dar os detalhes.

Boa sorte padinha, boa sorte livrepub, foi um prazer !



obs: Não sou nenhum obama mas também tenho twitter, se quiserem me segui lá, estejam a vontade. twitter.com/robertopperez

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Vou deitar e rolar!


Escrotisse minha dizer que eu estou adorando a gripe suína? Na verdade, o bom não é a gripe em si e gente morrendo por aí porque não tomou votamina C - já sei que vitamina C não cura gripe, só ajuda na pevenção, não precisa comentar dizendo isso. É que o bom mesmo são essas minhas férias que já drobraram de tamanho. As minhas duas semaninham minguadas nas quais eu tinha que aproveitar pra descansar e fazer todas aquelas coisas que não tenho tempo de fazer em aula dobraram de tamanho. Eu já soube que Brasil a fora as pessoas têm férias de julho decente, mas aqui no Rio é uma pão-durice nas férias que só vendo.
Agora é só dia 17 que eu vou ter que olhar pra fussa da minha professora de espanhol que parece o Ronaldinho Gaúcho - levei um puchão de orelha da minha professora de português, querida Marina Mansur, quando chamei a coordenadora de chefão do Zelda da outra vez; mas dessa vez ela não vai ver. E aquele bando de gente chata que estuda comigo? Não aguento eles a pelo menos três semanas e não vou ver tão cedo. Só estou vendo quem eu quero, quando eu quero, como eu quero; não é perfeito?
Claro que tem gente que eu gostaria de estar vendo e não estou porque não deu pra ser ver. Mas a gente releva algumas coisas. Mantem o papo por MSN e corre pro abraço!
Nada melhor do que não fazer nada, já dizia Rita. E eu assino embaixo com todo o gosto. Ir dormir às quatro e acordar às três e meia da tarde é praticamente uma vida de rei. Esqueci completamente as obrigações, os meus trabalhos ficaram todos por fazer, não vou ficar pensando nisso agora.
Viva as férias! (graças ao porquinho)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Trabalhador Brasileiro


Eu já trabalhei. Por incrível que pareça, eu, que vivo reclamando da pouca mesada que meu pai me dá, já trabalhei. Foram quatro dias -pareceu ser mais, mas foram quatro mesmo - na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Era para ser um estágio, mas eu percebi que eu estava mesmo era fazendo "aquele trabalho que ninguém quer fazer". Mas acho melhor parar de falar no geral e contar essa história para vocês.
Eu me inscrevi no estágio porque eu quero fazer direito, queria ter certeza de que eu queria levar a vida jurídica. Seria a oportunidade perfeita de ter certeza da faculdade antes mesmo de inicia-la, não? Não, não foi. Eu fui parar na área de informática da Justiça Federal - tudo que eu não quero da minha vida é informática: EU NÃO QUERO VIRAR O MEU PAI! Mas o salário de trezentos e cinquenta reais e alguma esperança de que eu fosse ter mesmo assim algum contado com trâmites legais me fizeram ir em frente, não costumava testar.
Comecei a ficar puto quando tive que ir e voltar da Cinelândia ao meu colégio na Marechal Floriano - depois da Presidente Vargas - quatro vezes para ficar levando e trazendo documentos que meu diretor devia assinar. Quando finalmente estava tudo assinado eu finalmente fui ver como seria o trabalho.
No primeiro dia, o meu chefe me deu uns papéis para ler e entender o processo. Direito? Nada... Eram só as maneiras como o sistemas que eram feitos estavam sendo feitos. Eu passei as quatro horas de trabalho revezando entre os relatórios chatos do meu chefe e Budapeste. Nesse dia saí mais cedo, eu estava de saco cheio!
Segundo dia, eu ouvi a frase mais absurda do mundo:
- Agora, você é um pouco inútil no nosso processo. A gente não tem trabalho pra você fazer.
Como assim? Eu ia passar as quatro horas sem fazer nada? Então apareceu alguma coisa pra eu fazer. Uma outra equipe - também de informática - tinha feito um sistema e precisavam de alguém pra testar o sistema. Sobrou pra mim testar o sistema que a princípio não funcionava. Depois, quando funcionou, eu comecei a procurar os erros e fazer um relatório com tudo que eu encontrava. No fim do meu terceiro dia de trabalho eu tinha chegado ao erro de número 80... Aquela gente tinha mesmo frequentado uma faculdade de informática?
Tinha um outro cara testando também - ele tinha pelos saindo da orelha que dava pra fazer cachinhos e fedia a café - e ele achou 15 erros no mesmo tempo que eu achei os 80. 15! QUINZE! Mas não era porque ele deu mais sorte de não dar erro quando ele testava. Isso foi porque o pessoal de lá tinha a estranha mania de não trabalhar.
Às três e meia da tarde, não havia ninguém sentado trabalhando. Era hora de todos pararem para conversar um pouco na cozinha. Isso ia até... Eu ia embora porque dava a minha hora e eles continuavam lá, conversando. E eu acho que não consegui ver todos trabalhando ao mesmo tempo. Sempre tinha um fazendo hora inventando não sei o que. Eu ouvi alguns absurdos como:
- Eu vou andando até a Avenida Venezuela pra fazer o treinamento que aí eu saio daqui mais cedo.
Pior, eu vi o gordo ligar para o táxi. Quem ele queria enganar?
Talvez tenha ficado um pouco grande. Mas foi essa a impressão que eu tive de uma repartição pública onde trabalhei por quatro dias. No quarto, eu enchi o saco e pedi demissão. Eles tentaram argumentar que eu podia ficar mais tempo, mas eu avisei que estava de saco cheio, se eles não quisessem me demitir, eu não voltava no dia seguinte. Era abandono de emprego mesmo. Acabei por não receber nada porque ia dar muito trabalho abrir a conta e eu só tinha direito a trinta reais.
Ficou desanimado para estagiar também? Eu não sei se é assim em todo lugar. Na Petrobrás eles chamam estagiário de daliti agora. Não tem jeito, exploram mesmo porque você precisa da nota pra se formar.
Ficou impressionado como ninguém trabalhava? Por isso esse país não funciona! É pra esse tipo de repartição ineficiente que vão os nossos impostos. Ontem eu paguei 50 reais só pra tirar a segunda via da minha identidade. Mais do que aqueles trinta que eu tinha direito pelos meus quatro dias de trabalho.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Não quero trabalhar

Essa vida de trabalhador é realmente um saco. Ficar vendendo a força de trabalho pra sobreviver é muito chato. E pior, eu vou ter que fazer isso até eu não ter mais idade para conseguir fazer todas as coisas que eu quero fazer. A minha avó tem depressão e o meu avô auzeimer (eu não sei escrever o nome dessa doença, escrevi certo?). Eu juro que queria antecipar minha aposentadoria e trabalhar quando eu estivesse debilitado. Olha o lado bom, eu seria alguém muito mais maduro e inteligente na hora de trabalhar.
Mas como eu não conheço nenhuma empresa - se alguém conhecer me avisa - que faça esse tipo de acordo, vou ter que gastar anos estudando para depois gastar mais alguns anos trabalhando. Aproveitar a vida, só quando os ossos doerem e o seu coração tiver uma ponte de safena.
Outra solução ia ser se eu tivesse nascido filho do dono de algum lugar fodão sabe. Tipo o cara que mora na cobertura aqui do lado, dono da Sadia. Também ia ser muito bom. Eu ia ficar em casa sem fazer nada enquanto pessoas trabalhavam para que a minha empresa tivesse lucro e eu fosse sustentado. Muito melhor que sustentado, ia ter dinheiro pra fazer todas aquelas coisas que eu sempre quis fazer.
Mas meu pai não é dono de nada além do nosso apartamento e do nosso carro, o que não me dá condições de viver sem trabalhar.
A terceira maneira ideal de viver ia ser ganhar na loteria. Mas eu não vou ganhar na loteria mesmo, então essa perde a sua validade em uma frase.
Por isso, vou estudar e trabalhar muito depois. No máximo eu posso publicar um romance e ganhar alguns milhões - se já tenho leitores no blog, porque alguns milhares de pessoas não podem ler meus livros. Aí eu ia viver em casa fazendo o que dá menos trabalho: escrevendo. Então se eu publicar alguma coisa, compra vai? Dá uma ajuda pra eu passar o resto da vida coçando o saco e fazendo nada.

PS: trabalhei uma vez como estagiário. Pedi demissão depois de quatro dias.